O Grêmio enfrenta o Botafogo, pela Copa Libertadores da América nesta quarta-feira. Partida importantíssima e sem muitos desfalques, o que define um quebra-cabeça para Renato Portaluppi.
Ainda não se sabe o real motivo de Pedro Geromel ter ficado fora do treino da tarde desta terça-feira (12), no Rio de Janeiro. Mas, com tantos desfalques e com a quase confirmação de que Luan não joga ,  já começo aqui a invocar o imortal Tricolor, aquele que pratica alguns “milagres”, de tempos em tempos.  Antes que o caro leitor ache que se de trata de um exagero, trato de explicar.

Como fica o time?

O meio-campo é um dos setores mais decisivos em um time de futebol e no Grêmio não é diferente. Ao longo da temporada, o Tricolor teve peças de sobra para fazer a diferença desde o apito inicial ou no decorrer de um jogo. Diante do Botafogo, pelas quartas de final da Libertadores, o cenário mudou. Com pelo menos cinco desfalques, a solução virou problema. Maicon, Miller Bolaños, Lincoln, Pedro Rocha e Michel são as baixas certas. O número pode aumentar  se Luan, peça-chave no jogo do Tricolor, não se recuperar de edema na coxa. Com tantos jogadores fora de combate, pelos mais diversos motivos – de lesão à suspensão, Renato Gaúcho tem um verdadeiro quebra-cabeça para escalar o meio-campo. E mais: perde alternativas para o decorrer do confronto no Engenhão. A primeira dúvida é sobre o substituto de Michel, expulso diante do Godoy Cruz-ARG. A primeira dúvida é sobre o substituto de Michel, expulso diante do Godoy Cruz-ARG. As opções são recuar Ramiro ou apostar em Jailson – que já foi terceiro reserva no ano.

Se Ramiro for recuado, o setor cai em um efeito dominó e o lado direito terá de ser preenchido. Para essa vaga os candidatos são Everton e Fernandinho, que nas últimas duas partidas começou no outro flanco do campo. Outra alternativa é Léo Moura.

O experiente lateral também é um dos nomes mais fortes para suprir a ausência de Luan.

Sem Luan, o Grêmio perde em criatividade e técnica no setor. Renato Portaluppi já falou abertamente que o meia-atacante é o único jogador do elenco sem um substituto. As saídas de Miller Bolaños e Lincoln, por empréstimo, afetaram ainda essa situação. Caso seja preciso jogar com uma formação sem Luan, outra formação possível é com Arthur mais avançado. O camisa 29, grande novidade do time na temporada, já foi definido pelo treinador como um meia nato – por conta da boa visão de jogo e passe qualificado. Só que as atuações do jovem nessa função não foram tão boas como nas vezes em que foi volante.

Temos grandes jogadores como dúvida, outros fora. A gente sabe que temos um grupo e todos estão preparados. Todos querem jogar. Temos que abraçar os caras e saber que quem entra, dá conta do recado. É buscar dar o máximo sempre”contemporizou Barrios

Time mais baixo e ofensivo

A terceira via diz respeito a algo que fugiria do pensamento de Renato. Dificilmente o treinador escala Arthur (1,72m) e Ramiro (1,68m), volantes de baixa estatura, lado a lado. Portaluppi sempre optou por alguém mais alto, como Michel (1,75m), Maicon (1,84m) ou Jailson (1,78m).

Mudança de esquema com Jailson

Por não apresentar a mesma qualidade de saída de jogo que Michel, Jailson pode também entrar no time por uma questão mais defensiva. Como o jogo é fora de casa e o Grêmio precisa sair vivo para levar a decisão a Porto Alegre, Renato tem a opção de formatar o 4-1-4-1, com o garoto mais recuado e Arthur e Ramiro à frente para fechar o tripé de volantes.

Deste modo, Jailson fica resguardado a atribuições defensivas, com Arthur e Ramiro responsáveis por fazer o jogo fluir a partir do meio de campo. Léo Moura e Fernandinho compõem pelos lados, com a possibilidade aberta para a entrada de Everton ou Arroyo.

Manutenção do esquema com Jailson

A única certeza que Renato Gaúcho tem é a ausência de Michel. Suspenso pelo terceiro cartão amarelo, o volante abre concorrência entre Jailson, Everton e Arroyo, basicamente. Se quiser manter o sistema de jogo atual, com um volante mais alto e recuado, o treinador pode escalar Jailson ao lado de Arthur, com Ramiro aberto na direita, Léo Moura centralizado e Fernandinho na esquerda. O modelo repetiria o desenho do jogo contra o Vasco

 No 4-2-3-1, as alternativas se espraiam conforme a intenção do técnico. Pois ele pode também recuar Ramiro para formar a dupla de volantes com Jailson, abrir Léo Moura na direita e aproveitar Arthur como “camisa 10”. Em entrevistas, Renato já citou que vê o jovem como um meia, pela qualidade no passe e visão de jogo.

A terceira via neste formato é a saída de Léo Moura por uma opção de mais fôlego do meio para frente. Aí Everton seria o ficha 1, com Arroyo correndo por fora. Qualquer uma das escolhas passaria ao lado esquerdo e faria Fernandinho inverter a faixa de atuação à direita, onde se sente mais à vontade para cortar para o meio e bater com a canhota.

A derrocada se Geromel e Luan não jogar

Para o completar o cenário que justifica a chamada do Imortar Tricolor, a tal preservação de Geromel no treino, que pode indicar mais um desfalque.  Sei que o Grêmio já saiu de situações muito mais complicadas, mas me arrisco a dizer: decidiremos a classificação para a próxima fase da Liberta no jogo de ida, contra o Botafogo.

Ou o Grêmio faz um fiasco, perde mais um jogo e volta pressionado para decidir na Arena (coisa que não vem fazendo muito bem quando a pressão pega) ou o Imortal Tricolor reaparece, o time supera o Botafogo, mesmo com os desfalques e volta praticamente classificado para a próxima. Oremos que seja a segunda opção.

O adversário

O adversário do Grêmio nas quartas de final da Libertadores nesta quarta0feira se construiu ao longo da temporada. Começou como azarão na Libertadores e avançou deixando pelo caminho campeões da América: Colo-Colo-CHI, Olimpia-PAR, Nacional-COL, Estudiantes-LP e Nacional-URU. Jair Ventura montou uma equipe coesa, de futebol solidário e que usa de muita velocidade. A moldagem da equipe deixou pelo caminho, por exemplo, o meia Camilo, hoje no Inter e destaque de 2016. Mas, por outro lado, fez surgir novas referências, como o goleiro Gatito Fernández, o meia João Paulo, ex-Inter, e o centroavante Roger. O meia-atacante Guilherme, buscado como aposta no Grêmio, talvez sirva como modelo para explicar esse Botafogo. Aos 21 anos, o guri virou o 12º jogador do time e consegue, em 2017, uma ascensão que ele próprio admite ser surpreendente. A seguir, confira quem são as principais armas do rival gremista no caminho do tri da América.